sunset - almas creadoras

One day you finally knew

what you had to do, and began,

though the voices around you

kept shouting

their bad advice–

though the whole house

began to tremble

and you felt the old tug

at your ankles.

“Mend my life!”

each voice cried.

But you didn’t stop.

You knew what you had to do,

though the wind pried

with its stiff fingers

at the very foundations,

though their melancholy

was terrible.

It was already late

enough, and a wild night,

and the road full of fallen

branches and stones.

But little by little,

as you left their voices behind,

the stars began to burn

through the sheets of clouds,

and there was a new voice

which you slowly

recognized as your own,

that kept you company

as you strode deeper and deeper

into the world

determined to do

the only thing you could do–

determined to save

the only life you could save.

Mary Oliver in New and Selected Poems (vol. 1)

:: o puteiro e os meus filhos

alice no país das maravilhas por dali - A Caucus Race and a Long Tale

Alice no País das Maravilhas – ilustração de Salvador Dalí

ontem estive num puteiro discreto.

numa rua romanticamente antiga, prédios antigos, ar antigo a suspirar por bueiros antigos a mesma puta antiga canção, que não sei qual é, não consigo ouvir, nos meus sonhos é apenas recuerdo, no me acuerdo..

entramos pra uma copa de vinho e a continuação da conversa. só a senhora detrás do balcão, madeira escura, tevê com volume no talo, o timing do señor desdentadoperoelegante que entra diligentemente cinco minutos depois e se senta no banquinho ao lado e pede provavelmente o que sempre pede.

queria nos pagar um vinho. falávamos de i-ching. éramos só nós ali, no silêncio de uma noite de pueblo.

a senhora tirou a medalhinha dourada que levava numa corrente no pescoço e o balançou sobre nossas palmas. disse que eu teria um casal de filhos.

ela, casada e divorciada quatro vezes, madame, os olhinhos claros, açucena.

<3

:: D’antanho

pra onde vão
os passarinhos
quando
morrem?

Não importa quantas vezes
você sabe quantas vezes
você tem que falar
no ouvido
pela pele
por poros
abertos
ao pulso
sem água
minguante
cortando gargantas
das tuas pequenas historinhas
sem aço
eu vejo você
apertar o passo até a porta
segurando pelo pescoço
todas as tuas vozes

21:13
bill arranhou o braço do sofá . deitou . o ventilador de teto era
marrom . morreu.

22:19
ele passou a mão pelo cabelo e a sujou de sangue.
não!
ele passou a mão no cabelo, de onde se desprendeu um cheiro ocre, vermelho.
não–
ele passou a mão pelo cabelo e lembrou que tinha que pegar as roupas
na laundry aquela tarde.
Não tinha ainda se acostumado à vida mondriânica (passas, paris,
texas) daquele seu quadrado. Morava a dois quarteirões da Paulista,
mas era schrimp (?) o tempo inteiro. Pois ele passava a mão
ininterruptamente pelo cabelo quando desceu aquela calçada, sol a
pino, esperando verão, hora aleatória do dia.
Quando pulou o terceiro buraco no concreto, sentiu uma pontada no lado
direito da barriga.
Uma pontada, não, uma porrada; inclemência.
Segurou-se numa árvore do projeto-urbanizeSP. A mão rastelou o tronco
e chegou depois do corpo ao solo: barulho surdo: tac.
Quando despertou, havia gavinhas em torno dele: tinha virado um
maracujá, passion fruit, pura noite.
Pensou: amanhã eu pego as roupas.

18:22
Esta é a estória de Iko-Iko, o garoto que vivia entre paredes.
Não que vocês não saibam do que estou falando. Todos somos, em maior
ou menor grau, indoors-bichos.
O dia de Iko-Iko começava com um pequeno périplo quarto-banheiro-cozinha.
No geral, terminava com o curso inverso, a não ser quando havia um
filme bom na tevê — nesse caso, adormecia no sofá da sala.
O miolo do dia transcorria como variação sobre o mesmo tema,
acrescentando-se a supracitada saleta-de-estar, que ficava entre o
quarto, o banheiro e a cozinha.
Um dia, Iko-Iko se suicidou.
Muitos dias se passaram antes que alguém arrombasse a porta e
descobrisse o corpo de Iko-Iko, já em avançado estágio de flibbers,
agachado num canto da salinha-de-estar, tal múmia inca.
A tevê encontrava-se desligada. Tudo mais ou menos arrumado, pois
Iko-Iko não era de bagunça. De um copo em cima da mesinha-de-centro,
recheado de matéria cremerela, emanava um cheiro azedo de anteontem.
Iko-Iko foi enterrado sob o solo da área de serviço, único território
inexplorado em vida pelo garoto. No epitáfio, um pedido: não comam a
minhoca.

17:37
ODE AO SANGUE

Aquela fina dor que redondeia os campos-sonhos
à distância o latejar de velhas carroças, sem poeira, por favor, pra
não manchar a pureza da cena de verão
eu me demoro no vermelhovidro imanente-pulsante por trás da moça
líquida sobre o pano; ela quase desfalecida, como um bom quadro;

no vermelho eu resido, encampar solitário, sem requinte de extração,
nenhuma distância, somente o líquido puro e jato, glopiscando no
plástico transparente, aquele tubo de ouro que guarda um sobrenome,
escarlate força, eu me desalinhando em outro, o sangue me tomando
enrubescendo ruborizando roux roux roux, manhã intensa como o dia em
que coletei sangue, talvez o dia em que morrerei, amo-te, sangue, meu
sangue, minhas veias venas, que saltem sístole-diástole, prolonguem a
saúde do meus meses memes (Aqui Entra O Outro), manifestem a
verdadeira cor da terra, onde todo sentimento afila e morre, dá lugar
ao inato, sangue-verde, toma meus braços e faze-os ferver, dizei tudo
em pretéritos de língua estranha, oculta lógica do viver-morrer,
respira em falso porque tudo em você é falso, tudo brilha como nunca.

hoje eu coletei sangue
11.03.05 – sexta quente

15:09
OOOOOOOFFFFF! EU SOU EU NOVAMENTE! OH, BELA VIDA, RETORNAR A SI,
DOMENICA, LUZES, UMA BOA NOITE DE SONO E——-> UMA XÍCARA DE CHÁ
QUENTINHO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

2:52
(((Devotion — Earth, Wind & Fire)))
Minha mãe esvoaçante, meu pai parelhando suas vistas azuis com o mar,
aquela onda antiga, o banho e o deque de madeira, o caminho de terra,
o chão tão próximo e povoado de existências estranhas, o porto, a
sopa, o trabalho de escola sobre abelhas, as tardes e o medo do não, o
radinho.
Vou comer todo o papel, os cabos de fibra ótica, minha boca vai
reclamar sozinha até um raio fritar minha cabeça e eu pender como um
ratinho para o lado direito, pobre ratinho que não teve história.

2:08
e eu, que sempre me pergunto o que vem depois dos finais,
sempre que vejo o roll, sempre que durmo,
sempre que canto, penso que termino,
mas não vai embora,
tamborila aqui comigo,
e é presente como a minha mais perfeita gota
que meu corpo, tamarizado, virado em globos egípcios,
poderia em toda sua concentração plup.

2:05
naquele dia eu reluzi(a) em perfeito vermelho-tarde;
com o metal, éramos um grande e luzidio sáurio
retendo todo o verde dos cactos americanos
engolida-nos por fora, jamando-lãs brancas peles
que coisa — eu abaixei por um momento —
porque havia aquela pedrinha tão pequena
e, ao voltar-me para a estrada,
nada.

14:08
eu
não tenho nada contra
andar
cambaleando
até cair

:: eu te odeio

eu te odeio,

eu te odeio com todas as minhas forças,

eu te odeio brilhantemente como um casco luzidio de cavalinho upa upa ao sol de western cries,

eu eu eu te odeio odeio odeio você você você.

quem quer que seja você, quem quer que estejamos, eu passo a mão pela pele e é fria e tombadiça, marujo desequilibrado no convés que nunca vi, mas como te quero, como te quero morto e frio e tombadiço num convés a caminho de Ceuta, esse país de livros, teu cadáver bem arranjado com flores e uma noiva muito branca chorando aos seus pés.

eu te odeio porque te amo, odeio te amar, odeio não ter o que fazer com este amor, com este ódio, com esse véu perdido nos idos de 2012 que me deixa a sala pequena, olho-me-olha não estamos à vontade um com o outro, quem é você?, sou seu véu branco e perdido, eu sou sua dona, que digo!, mas não mais, nunca quis, não é verdade? meu corpo se movimenta táctil e soberano entre névoas, e sou uma naja porcina recendendo a jantares em sítios de coroné. Eu li muitos livros, de que me adianta? Se sou uma triste sombra, se ando pela areia e os dedos estão sujos, quem vai beijá-los? que me beije imunda.

:: zefiní

zefiní, estou tonta.

bebi mais da conta, estou tonta.

quero ligar pra ele, quero um colo, um carinho, estou tonta, esvaio por um buraco pequenino e sem importância, esvaio como uma guimba no bueiro, por onde alguém passa, por onde alguém pisa e nem se liga, estou indo, indo….

estou me esvaindo.

girando no vazio, cambalhotas no vazio, arte vazia no vazio, estou-me indo.

que orgulho o quê, que passado e que futuro, que presente-presente, não creio em nada, só no impulso, no tropeço que me acorda a fuça vazia no solo áspero como uma gilipollas, yo quiero caer, déjame caer, que não me venham braços ou poesias, que isso tudo me cansa, me faz fundir sovaco com mão com resto de pelos sobre o travesseiro, assim um tudo-sem importância.

eu bebi, eu bebo, eu faço como se fosse uma onda, uma gaivota tentando equilibrar-se num puto tronco, coisa nenhuma, pra motivo algum.

nem o pôr-do-sol, nem a gilete, nem o banho quente. nem nada. nem uma nota sequer, que não me venham acordar com as frases de requinte, as frases quentes pra deixar meus pés quentes as orelhas quentes que alguém já adiante na esquina se desocupa em dizer susana-tadinha-está-triste.

estou triste, estou miserável, isso não é nada perto de quê, de nada, de guerras e canudinhos listrados em bocas pintadas de rosa num bar onde falam catalão, isso não é nada, minha filha, já passei por coisa muito pior, todos passam por coisa muito pior, onde está a comunicação? a comunicação em silêncio, todos gosma abaixo pelo bueiro, nos encontremos no miasma, nesse puto frio de tarragona, no puto frio de minh’alma.

:: Nam tales #1

sean flynn - self portrait - cambodia

“This will be the end, I know,” Lili had cried to a friend on learning that Sean was headed back to Vietnam that March. Interviewed by the Palm Beach Daily News the day after her only child, and only living blood relative, was reported missing, she quoted the close of the letter he had written to her minutes before his flight from Saigon to Phnon Penh. As if he shared Lili’s sense of foreboding and was bracing her for the news to come, he encouraged her to take comfort in “this idea that all things here in the world are God’s toys, you, me, Cambodia. Make peace with Him and your heart is still. Do you know how to do it? Watch the plants, rains, sunsets, bugs, the changes in the wind, sea and clouds. Watch them and relax in peace. There is a place for all us.

“Must go,
Love, Sean”

from: http://www.thenervousbreakdown.com/drhaney/2013/02/nowhere_men/

Sean Flynn – self portrait

:: dessignificados

passarinho

hoje, no bureau aqui no distante, longínquo, talvez mais-perto-que-nada Camboja, um passarinho ficou preso. batia nas janelas fechadas, procurava ar, não conseguia escapar. eu abria os vidros, as portas, eu o chamava, ele não sentia o vento nas asas, com o bico entreaberto, talvez de cansaço, pousava sobre as gigantescas pilhas de papel empoeirado, em cima dos armários de madeira vermelha meio empenados, sobre as mesas de escritório. eu chorei, chorei….

voltei agora e ele saiu. sumiu………..

:: tempo moinho

harlequin_bug

Não que o púrpura

Algum outro tempo

De brandos brancos

campos de lã

Mas você grita

Você pede

E os céus se abrem

Em deliberada música.

(Harlequin bug adult (Murgantia histrionica).
Russ Ottens, University of Georgia, http://www.insectimages.org)

:: era abril

hug your inner child

Corazón partindo

Ínu

infinito

Descolando as pregas das

perguntas

Soltando as crianças no

quintal

No Sol o olho o sol.

:: aqualand

alice no país das maravilhas por dali - the pool of tears

Talvez

* Lá no fundo

elas quisessem ser putas ou

peixes.

(ilustração: Salvador Dali, The Pool of Tears, 1965 – Through the Looking Glass)

:: tuesday’s lullaby

I'll be you and you be me - ruth krauss, illustrations by sendak

chora, menina, chora,

que o minuto seguinte é mistério,

aceite o mistério, abrace durma com ele e faça amor com ele

como com um ursinho de pelúcia,

a cabeça nas nuvens, o corpo desencarnado,

os ossos dos pés fazendo clac clac no chão gelado,

o sim e o não,

aceite entregue confie.


chora, menina, chora mais,

que ainda não é suficiente, teu coração angustiado

pede que a narrativa se estenda em séries da fox,

coisas assim.


já é de anteontem esse choro, já nasceste neste mundo,

já usaste a segunda pessoa do singular, já sabes que não funciona,

que o verbo é coletivo, inclusivo, angular, redondo, flutua e já não é mais,

virou tufo de girafa ao vento.


as girafas não se beijam, ou se lambem com suas línguas roxas compridas e afiadas.

as folhas secam apodrecem e geram novas folhas.

coisas assim.


não é momento, já é momento, já foi, será,

chora, menina, chora,

que o sorriso que se entrevê já cora suas bochechas

com o rosa da tarde, criança-menina, criança-aurora.


(ilustração: Maurice Sendak. In: I’ll be you and you be me, by Ruth Krauss)

:: laying eggs (Deus Urso)

thecrowsofpearblossom_illustrations by barbara cooney2

cada dia novo uma loucura,

cada loucura um dia novo.

novinho em folha.

nonovivivivivivivivinho inho inho cuti cuti inho nhonho nho nhooh.

assim que nem ursinho de pelúcia,

se tivesse penas y voasse.

abençoai-nos, ursinho,

que não sabemos o que fazemos,

e não temos pelos

só peninhas.

(illustration: Barbara Cooney // The Crows of Pearl Blossom – Aldous Huxley)

:: taquicardia do dedo azul

a ação ocupa o espaço gósmico do vermezito

subindo pelo meu dedo azul.

eu miro a ação a ação me mira eu miro eu caio

no buraco do gesto

dedo azul azul dedo gósmico

aponta para aquele canto amarelo

e descascado

de parede-de-bar de anteontem

quando eu nem existia,

nem sonhava

halls de framboesa tomando poeira

nas estantes do caixa, dedo azul

na registradora do meu avô,

a criança azul com o dedo azul

brincando no quartinho dos fundos

antesdeantes de anteontem,

confortavelmente soterrada minada

entre bíblias ilustradas

e letras douradas de enciclopédias escolares,

entre a cama onde dormiu tanta gente

que hoje não suspira mais, que hoje mais adiante talvez

num retrato, a oferta do tchawan de gorran

em prece, em silêncio, mira eu mira nós

como no cemitério em Santiago, as cores dourando tumbas discretas

no sol quase-português, dividindo-idos entre ateus,

cristãos, indecisos e suicidas.

os suicidas cor-de-rosa.

(ilustração: coração – ingryd lamas)

:: meditação para o outono

build your inner strength

Terra, Ensina-me a Lembrar
                            
 
Terra, ensina-me a quietude,
como a relva é silenciada pela 
                                            [luz.
Terra, ensina-me a sofrer,
como as velhas pedras sofrem 
                        [com a lembrança.
Terra, ensina-me a humildade,
como as flores são humildes em 
                        [seus primórdios.
Terra, ensina-me a acarinhar,
como a mãe que envolve seu 
                                        [bebê.
Terra, ensina-me a coragem,
como árvore que se eleva 
                                    [solitária.
Terra, ensina-me a limitação,
como a formiga que rasteja no
                                         [solo.
Terra, ensina-me a liberdade,
como a águia que paira no céu,
Terra, ensina-me a resignação,
como as folhas que morrem no 
                                        [outono.
Terra, ensina-me a regeneração,
como a semente que brota na 
                                    [primavera.
Terra, ensina-me a esquecer de 
                                    [mim mesmo,
como a neve que derrete 
                            [esquece sua vida.
Terra, ensina-me a lembrar da 
                                            [bondade,
como os campos áridos choram
                                         [com a chuva

Entramos na Caverna do urso, no Oeste da roda Medicinal, no Tempo de Outono. Aqui vamos escutar. Aqui vamos resgatar fragmentos de nós mesmos que foram deixados em diferentes tempos de nossa existência. Recuperar partes de nós mesmo que ferimos, que negamos, que culpamos.

http://www.xamanismo.com.br/Voo/SubVoo1203710422It005

infelizmente não sei de quem é a imagem.. <3

“Louis Vuitton hosted a party in Tokyo Thursday night to fete its “Timeless Muses” exhibition honoring a handful of inspiring women, but Fiona Apple probably made the biggest impression of the evening. 

Apple grew frustrated with the ongoing chatter in the venue, a hall at Tokyo Station Hotel, where the exhibition makes its home. Partway through her short set, she climbed on top of her grand piano and asked the audience to be quiet so that she could perform. She then challenged everyone to be silent for the duration of a tone she created by striking a small metal bell. The performer grew even more angry when the noise in the venue continued.

Apple instructed the audience to “shut the f–k up” and uttered other expletives, both audibly and under her breath, calling the event’s attendees “rude.” She continued with her set before shouting, “Predictable! Predictable fashion, what the f–k?” as she stormed off the stage. The show was punctuated with other bizarre moments, such as when she hit her head with her microphone, did a back bend over her piano bench and stared intensely at her guitarist as if in a love-struck trance.

A Louis Vuitton spokesman declined to comment on the performance.” – from WWD issue 08/30/2013

 

:: Spider Veins

I’m tipping into a spiral
I’m edging to the sea
my bones are broken
my legs apart
I want to receive you
I want to receive you

Feel drawn to the cabin
climbed rocks, don’t regret it
the eagle clutched and fled
my spider veins to the top
The lamps are lit
My eyes are shut

I want to read you
from cover to cover,
portray your sorrows
I’ll make them mine

I want to read you
all over, within
I can see through
the mist of pain

I can see through
realms of dreams
deep inside
only a sigh
nursed by shadows
who cry and cry

faces overlap
I read you, I read you
the ground breasts
are ready to wake you

Suu

6.jun.2014

cortázar

Don’t leave me alone in front of you,
don’t set me off to the bare night,
to the razor-edged moon of crossings,
to being nothing more than these lips that drink you.
I want to approach you from you yourself
with that movement that your body unleashes,
that it spreads beneath the wind like a black canvas.
I want to reach you from you yourself,
seeing you from your own eyes,
kissing you with that mouth that kisses me.
It cannot be that we are two, it cannot be
that we are
two.

 

No me dejes solo frente a ti,
no me liberes a la desnuda noche,
a la luna filosa de las encrucijadas,
a no ser más que estos labios que te beben.
Quiero ir a ti desde ti misma
con ese movimiento que fustiga tu cuerpo,
lo tiende bajo el viento como un velamen negro.
Quiero llegar a ti desde ti misma,
mirándote desde tus ojos,
besándote con tu boca que me besa.
No puede ser que seamos dos, no puede ser
que seamos
dos.

Julio Cortázar (1914-1984) is one of the most important Argentine novelists and short story writers of the twentieth century. Most of his literary production occurred while he was living in exile in Paris. His poetry was not as well known and remains largely untranslated.

These poems originally appeared in the text Último Round, Siglo Veintiuno Editores, 1969.

Trans: Jacob Steinberg, 2011.
Source: http://upliterature.com/two-poems-by-julio-cortazar/

Tino Rodriguez  and Virgo Paraiso - strange flowers blossom

dez mil voltas ao mundo depois
o encanto se fez
por trás da pedra
o verde e a voz cega
brotando em raios
a rosa é guerrilha
escondida nas perdizes
na bata do padre
no não sei não senhora.

image: Tino Rodriguez, Strange Flowers Blossom, 2004.

heavenly talk

 19th century academic drawing of a foot from a cast by Paul Maillet

19th century academic drawing of a foot from a cast by Paul Maillet

the man in his deathbed, why?
oh why did he forget
how to love
how to breathe
the gentle air of her womb

ready to embrace him?
no further questions
she would ever make
besides this one,
half mocking, loudly crying,
why? oh why?

my hand in your hand
until there’s no flesh
or sighs
until there’s not you and I
why? tell me, why?

and so they say

he awoke from the grave
and gave her a winkle
half mocking, deadly serious
my endearing, my only
I’ll tell you why

Cause I’m ruthless
and cruel
I ride the dying dragons
of this land
don’t you see?
you see me?

we’re empty curtains
you and I
and the first rays of the morning
are penetrating our skins
don’t you see?

führ Diefenbach

Era uma noite silenciosa, e nada.

Elas se entreolharam em um choque lento e doloroso.

A dor era no dedo do pé. Esquerdo.

Todos os outros se viraram para ver: a mão se levantando, o copo girando no ar, os cabelos se entrelaçando com a fumaça.

Uma lâmina para cada coração.

A cena em pedaços de chão e luz.

O abraço, e nada.

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