:: andorinhas

owls - charley harper

(((lembretepramaisélf)))

da próxima vez que pensar em odiar alguém:

só o amor desconcerta.

:: Balles

arizona dear

– Balles, não é seu estilo. Vire-se.
O homem de costas, na poltrona, não se moveu.
– Balles, não estou brincando. (((esse maldito está morto))))
Os pés hesitam dancedance. Que eu preciso de segurança, e esse ar parado –

Depois de um instante, decido guardar Vera no coldre (Arizona Colt, minha querida). Claro que ele está morto. Eu não preciso olhar. Vou embora.
– Maldição.
Mas, antes de ir, vamos ver o que aquele coiote sujo guardava em sua geladeira westernboys.

:: grub grub

rrente, não sou de ficar panfletando, mas vô falá.
QUANTA ÁGUA a gente gasta pra lavar louça!!
Eu cresci numa casa com poço artesiano, sujeito às manhas da natureuza, e aprendi desde pequena que a água é preciosa. Então, queria dar uma dica pra preservar o planeta tão legar quanto campanha de fazer xixi no banho: na hora de lavar sua louça, ensaboa tudinho e depois enxágua tudinho de uma vez. Não deixa a sua torneirinha aberta como se fosse natal. E usa água quente pra tirar a nhaca gordiziness, é mais fácil que ficar lá esfregando forevis. Morô!!!

“When I was very young, my mother took me for walks in Humboldt Park, along the edge of the Prairie River. I have vague memories, like impressions on glass plates, of an old boathouse, a circular band shell, an arched stone bridge. The narrows of the river emptied into a wide lagoon and I saw upon its surface a singular miracle. A long curving neck rose from a dress of white plumage.

Swan, my mother said, sensing my excitement. It pattered the bright water, flapping its great wings, and lifted into the sky.

The word alone hardly attested to its magnificence nor conveyed the emotion it produced. The sight of it generated an urge I had no words for, a desire to speak of the swan, to say something of its whiteness, the explosive nature of its movement, and the slow beating of its wings.

The swan became one with the sky. I struggled to find words to describe my own sense of it. Swan, I repeated, not entirely satisfied, and I felt a twinge, a curious yearning, imperceptible to passersby, my mother, the trees, or the clouds.”

Patty Smith – Just Kids

bubbles_and_love

MIUDEZAS

a hora certa é a hora certa é a hora certa da enviezada tezpalidez da cor de tomate rousa de depois da esquina.
daí que sim, daí que talvez.
o horizonte se amassa como se amassam os pãezinhos nas mãos rechonchudas de calos e calor eriçado.
porém é claro que na fila existem outros, e conversamos.
– que hediondas sones, sones?
– não te compreendo, desculpe.
– por que é que você..?
– essa gravata te cai bem.
e assim chega a minha vez e lá resvalo com meus quebradiços ossinhos crec crec dissolvendo-se para a moidez do acém do almoço do moço que vem depois de mim.

pito ito dito birigui. pourra.

tô cansada de bliblibli e blublublu.
agora batem à porta e exigem imagens langourousas e carniças berrantes no corredor, só pra pular por cima e perguntar pelo café.
muito engraçados, vocês.

“When a vision comes from the thunder beings of the West, it comes with terror like a thunder storm; but when the storm of vision has passed, the world is greener and happier; for wherever the truth of vision comes upon the world, it is like a rain. The world, you see, is happier after the terror of the storm… you have noticed that truth comes into this world with two faces. One is sad with suffering, and the other laughs; but it is the same face, laughing or weeping…” -Black Elk

:: a foto da recepção do hotel em sobradinho

meu deus, é exatamente isto.
talvez eu seja abduzida, talvez últimas palavv.

mas cheguei a um tal êxtase navegante tamborilante randômico na internet nesta tarde que cheguei lá. twin peaks.

eu encomendei uma roupa que está vindo de sobradinho, no rio grande do sul.

aí eu pensei: caceta, vai demorar pra chegar. onde dadavils é sobradinho?

google > sobradinho > ecoviagem.xis > hotel > hotel em sobradinho

e eu vi.

a foto.

da sala de recepção.

em sobradinho.

e ela se mirou em minhas retinintes japonnaises.

e eu captei.

igualzinho ao hotel em twin peaks.

claro, não vale olhar as outras fotos.

:: ailaika @ disquinho novo!!

(noite, sala de casa, silêncio, vidinha) – quero sentar, tem um notessauro e fones no sofá * vou até a tevê-proyector, pulo duas placas de som no tapete * esqueci o frango no microondas, cabos-e-bags on da way * e a estante de livros contempla um lindo y ardido juno no meio da sala. fa fi fo fum, fifa a pmúsikha y o amor……..

tzé com modelito @ailaika exxxclusivo!!!

::dreamshopwoo

essa noite foram roupinhas e sapatinhos.
engatinhando, fui descendo as escadas íngremes de uma clínica toda amarela, com arcos meio mouros, uns caras com cara de eunucos-porteiros abrindo caminho pra eu passar.
meu appointmento era só dali a uns 15 minutos e eu resolvi num élan passar na loja que ficava lá na rua, debaixo da clínica, escura, com uma tênue neblina, amontoamento de brechó, tão verossímil!, já entrei agarrando uns casaquinhos e uns sapatinhos e uma linda BOTA VERMELHA e outra bota esquisita que parecia mistura de kichute com sapatilha de bailarina e meião feioso de inverno (do avesso, virava meião de bolinhas).

rodeada de brikajrrubriques femininos, feliz e desesperada como uma criancinha com bloquinhos de madeira.

<<criancinhas não são tão desesperadas com bloquinhos de madeira>>>

acordei com vontade de comprar qualquer coisa. e, além de qualquer coisa, uma maledita bota vermelha, pra ficar que nem um power ranger.

:: o vento fala

o vento fala
me revolve os sentimentos
e me leva
a torturar os carneirinhos de neon
(ao sabor do sonho)

o vento cala
quando eu levanto
com vontade de abraçar
seus pensamentos tão bonitos

é verdade que eu vejo muita coisa
errada mas eu me recolho aos gritos
na ciranda cirandinha
coca zero estomacal de nossos
futuros filhos
amor…

agora chora
me diz mais uma vez
tanta ternura pra quê
se você vai embora?

não quer se despedir
e tanto amor pra quê
se você vai embora?

com o vento que arrasa a vida
e levanta a saia das meninas…

eu bebo o banho
dos revoltos passarinhos
a circular na sua sopa
meu café au lait
meu zuzu laquê

sentimental eu sou
sentimental tu és
cadê o vento pra girar
a gente até chegar
no céu

eu sou pequena, tu pequeno
nós tão grandes que o mundo
não tem outra cor
amor…

:: meu primeiro clipe

é a versão xxtended do meu primeiro gradiente.

colorida, tosca e deliciosa.

meu primeiro clipe, em stop-motion xxxtremecaseiro.

o maior prazer é a caixa de sapato de produção.

lá tem canetinha colorida, giz de cera, papel de todas as cores, plásticos, pincéis, passarinhos recortados, tesoura pra canhoto, massinha, aquarela e bichinhos de pelúcia (as estrelas do novo gradiente).

além, é claro, da nossa querida vaca de chifres dourados, que, quando não está filmando, atua como nossa porta-guardanapos.

:: vento na cortina

o mau gosta de delays.

neste exato momentum, as cortinas balouçam ao vento da noite (((lua cheia))) enquanto escuto o neofolk homemade que ele me mandou (cheio de delays, é claro)

me faz pensar num gigante de massinha meio bobão e em florestas miniatura, também com farfafaafafaalhar de fofofofolhas, e pequenos seres também de massinha espiando o entardecer por entre os arbustos.

bueno, o ruim é que ele sempre manda samples curtos demais. nem deu tempo de desenvolver la viaje e plu.f.t.

:: ror

equilibrando mel ovos papel higiênico pepinos bananas pãozinho na chuva. feliz da vida — não sei por quê.

:: the garden looks great

everything takes place in the dream time.

::o ovo o ovo ovo ov voo v vo

o ovo não me sai da cabeça.

eles estão por toda parte, debaixo da pia do banheiro, amontoados por uma mão invisível, pintados na parede claroescura da sala.

– some religions think that the egg is the symbol of the soul. did you know that?

robert de niro, in coraçãosatânicoalanparkerthang.

::sonho:::a coruja

ela era enorme, toda feita de fitas de pano azuladas. entrou pela janela e me beijou na testa, eu procurando sinais, algo-que. lá fora, a luz do dia  era como a que entrava pelo vitral da escadaria na casa da minha vó, iluminando a santinha de vidro rosado.

:: a roda kyin

Fiz um gesto vago procurando algo nos bolsos.

Quando eu era pequeno, pensava constantemente na sensação de uma roda descomunal passando por cima do meu pé. Um pouco de fantasia autocomplacente, mas principalmente o dedo na tomada ou xícaras com o mindinho, não sei. De qualquer forma, sempre simpatizei mais comigo quando sou idiota.

Atirei.
Odeio desperdício de comida.
… E, uma vez, uma roda de fato passou por cima do meu pé. Uma roda da velha charrete dos Kyin. Eu tinha dez anos e não senti a glória do sonho, só uma dor insuportável – não – um desespero da luz de mil painéis solares em minha retina — não — o ápice e a queda no mesmo segundo que se chama vida — não — e a roda, aquela maldita roda, consagrou em mim os olhinhos esquimós ou half-cherokees da doce família Kyin, que deus os tenha, e eu soube naquele instante que amor, chimichurri e troncos podres são irmãos, e a poeira da estrada entrou em meu olho, e o fato é que eu fui abandonado muitas vezes depois disso, e lembrar dos olhinhos-Kyin de alguma forma sempre me ajudou a ter forças, e, então, era neles pretobola que estava pensando neste exato instante, enquanto vasculhava a casa à procura de algum indício, qualquer indício, se tudo não for indício de si e do contrário, minha cabeça está rodando, eu ouvi um latido?, talvez eu seja Balles e Balles seja eu, e talvez ao invés de rodas eu comece a pensar em balas rasgando meu peito de agora em diante.

Man Fried

Manfried Balles mora com sua não-esposa e seu não cachorro. Também pesca peixes imaginários no lago Melimão. O lago não é imaginário. Ele acredita em Deus, como todas as pessoas infelizes que eu conheço, e finge que é lúcido. Sobretudo para si.
E lá vamos nós. (Balles) Olááá. Odeio o som desse olá.
Na frigideira, feijão de latinha com Chimichurri. O cheiro é ótimo, mas evito sempre. Balles é do tipo que não sabe lavar uma louça com decência. Geralmente isso acontece com pessoas sós. O primeiro sintoma da solidão crônica é o relaxo com higiene.
Não no meu caso. Às vezes eu perco um dia de banho, mas só no inverno.
O cheiro está ótimo. Que merda.
Me arruma um garfo.
(Balles) Hoje não tem rango procê, cumpadi. Cê trouxe o que eu ti pidi?

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Tema: Esquire até Matthew Buchanan.

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